RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS NO CURRÍCULO, NA DÉCADA DE 1990, EM PORTUGAL
DOI:
10.62246/HISTEMAT.2447-6447.2025.11.769Palavras-chave:
Resolução de problemas, Ensino da Matemática, Renovação curricular, Trabalho colaborativo, CurrículoResumo
As reformas educativas constituem respostas a dinâmicas culturais, políticas e sociais, refletindo tensões e aspirações presentes no seio das comunidades educativas. A reforma do currículo de Matemática em Portugal, implementada em 1991, emergiu como reação ao descontentamento manifestado por professores, alunos e pela sociedade em geral, procurando superar o formalismo excessivo da matemática moderna através da valorização da resolução de problemas como eixo estruturante do ensino. Este estudo adota uma abordagem qualitativa, centrada na análise documental de diversas fontes: os documentos curriculares oficiais (currículo prescrito), os manuais escolares e listas de problemas (currículo apresentado), bem como legislação, estudos académicos e textos de divulgação. A análise foi orientada por sete categorias analíticas no caso do currículo prescrito e três categorias no currículo apresentado, tendo como objetivos compreender o contexto histórico que propiciou a centralidade da resolução de problemas no ensino da matemática e examinar os modos como essa abordagem é operacionalizada nos diferentes níveis curriculares. Os resultados evidenciam que o currículo de 1991 representa um movimento robusto de renovação curricular, resultante da confluência de múltiplos atores e dinâmicas, com especial relevo para o papel ativo desempenhado pelos professores. Esta reforma marca uma rutura com práticas anteriores, promovendo uma orientação didática centrada na resolução de problemas em detrimento da mecanização e do treino repetitivo característicos das propostas curriculares precedentes.
Downloads
Referências
Abrantes, P. (1987). Associação de Professores de Matemática: esperança e Desafio. Educação e Matemática, 1, 3-6.
Abrantes, P. (1989). Um (bom) problema (não) é (só)... Educação e Matemática, 8, 7-10, 35.
Abrantes, P., & Carvalho, R. F. (1985). M7. Matemática. 7.º ano. Texto Editora.
Abrantes, P., & Carvalho, R. F. (1989). O NOVO M7. Texto Editora.
Almeida, M. C., & Rodrigues, A. S. (2025). Distinct Approaches to Integers in Technical Schools and in Liceus, During Modern Mathematics in Portugal. In E. Barbin, M. N. Fried, M. Menghini, F. S. Tortoriello (Eds). History and Epistemology in Mathematics Education. Trends, Practices, Future Developments, (pp. 513-526) Birkhäuser. https://doi.org/10.1007/978-3-031-86870-2
APM (1998). Renovação do Currículo de Matemática. Seminário de V. N. de Milfontes. APM.
Bardin, L. (2016). Análise de Conteúdo (3.ª edição). Edições 70.
Carvalho, R. F., & Abrantes, P. (1992). A Aventura Matemática 7. M7. Texto Editora.
Chartier, R. (2007). La história o la lectura del tiempo. Gedisa.
Cohen, L., Manion, L., & Morrison, K. (2007). Research Methods in Education (6th Edition). Routledge.
Costa, M. J. (1987). O Problema da Semana (3.ª Edição). APM.
Duma, S. Y., Muslimin, Modjo, A. S., & Walid, A. (2024). The role of Mathematics Education in Developing Critical Thinking Skill in the Industrial Era 5.0. Aksioma: Jurnal Matematika, 1-11. https://doi.org/10.62872/d83tws09
Gimeno, J. S. (2000). O currículo: Uma reflexão sobre a prática. Artmed.
Grupo de Trabalho. (1987). Currículos/Programas. Educação e Matemática, 1, 20.
Guimarães, H. M. (2005). A resolução de problemas no ensino da Matemática. Alguns passos do seu percurso no discurso curricular em Portugal. In L. Santos, L., A. P. Canavarro & J. Brocardo (Org.), Educação Matemática: caminhos e encruzilhadas. Encontro internacional em homenagem a Paulo Abrantes. APM.
Guimarães, H. M. (2006). Renovação do Currículo de Matemática. Educação e Matemática, 98, 3-8.
Krüger, J. (2010). Lessons from the early seventeenth century for mathematics curriculum design. BSHM Bulletin, 25, 144-171. https://doi.org/10.1080/17498430903584136
Loureiro, C., & Moreira, L. (1987). Problemas. Ideias. Sugestões. Educação e Matemática, 1, 12-13.
Matos, J. M. (2008). A resolução de problemas e a identidade da educação matemática em Portugal. In Atas Investigación en educación matemática XII. Sociedad Española de Investigación en Educación Matemática, SEIEM.
Matos, J. M. (s.d.). Sucessões. Recolha de problemas. Edição do autor.
Matos, J. M., & Almeida, M. C. (2023). The Distinct Facets of Modern Mathematics in Portugal. In D. De Bock, Modern Mathematics. An International Movement?, (pp. 169-198). Springer. DOI 10.1007/987-3-031-11166-2.
Ministério da Educação (1991). Organização Curricular e Programas – Vol. I – Ensino Básico – 3º Ciclo. Lisboa: Direcção Geral dos Ensinos Básico e Secundário.
Moreira, L. (1987). A Resolução de Problemas. Educação e Matemática, 1, 10-11.
NCTM (1980). Agenda for Action. Recommendations for School Mathematics of the 1980s. NCTM. https://www.nctm.org/flipbooks/standards/agendaforaction/html5/index.html
Pólya, G. (1977). A arte de resolver problemas. Um novo aspecto do método matemático. Tradução e adaptação Heitor Lisboa de Araújo. Interciência.
Ponte, J. P. (2003). Conferência O Ensino da matemática em Portugal: uma prioridade educativa? In Conselho Nacional da Educação (orgs.) Actas do Seminário O ensino da matemática: situação e perspectivas (pp. 21-56) https://www.cnedu.pt/content/antigo/files/pub/EnsinoMatematica/1-Capa.pdf
Ponte, J. P. (s.d.). Problemas para a aula. Edição do autor.
Ponte, J. P., Serrazina, L., Guimarães, H. M., Breda, A., Guimarães, F., Sousa, H., Menezes, L, Martins, M. E, & Oliveira, P. (2007). Programa de Matemática do Ensino Básico. Lisboa: Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Ministério da Educação.
Rodrigues, A. (2022). O Movimento da Matemática Moderna no ensino Técnico em Portugal.. In Gutiérrez, R. E., & Prieto, J. L. (Comps.). Memorias del VI Congreso Iberoamericano de Historia de la Educación Matemática, (pp. 607-622). Asociación Aprender en Red. https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/230722
Sá, E. M.; Reis, I. S.; Ramos, M., & Pato, J. (1998). Inovações nos Planos Curriculares dos Ensinos Básico e Secundário. Critérios de elaboração de Programas de Matemática do 7.º ao 12.º ano. Instituto de Inovação Educacional. Sociedade Portuguesa de Matemática.
Silva, J. Sebastião (1964). Guia para a utilização do compêndio de Matemática (Vol. 1). Ministério da Educação Nacional.
Suryawan, I. P. P., Sudiarta, I. G. P., & Suharta, I. G. P., & Suharta, I., G. P. (2023). Students’ Critical Thinking Skills in Solving Mathematical Problems: Systematic Literature Review. Indonesian Journal of Educational Research and Review, 6(1), 120–133. https://doi.org/10.23887/ijerr.v6i1.56462
UNESCO (1998). Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem Jomtien, 1990. UNESCO.
Vale, I., Pimentel, T., & Barbosa, A. (2015). Ensinar matemática com resolução de problemas. Quadrante, 24(2), 39-60.
Downloads
Publicado
Métricas
Visualizações do artigo: 934 PDF downloads: 149




























