CULTURAS ESCOLARES DO CAMPO E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: articulações e exercícios de pesquisa
DOI:
10.62246/HISTEMAT.2447-6447.2026.12.792Palavras-chave:
Cultura Escolar, Educação do Campo, Educação Matemática, Educação RuralResumo
O artigo discute a pesquisa em História da Educação Matemática quando orientada pelas culturas escolares do campo, frequentemente invisibilizadas por leituras historiográficas urbanocêntricas. A partir de referenciais da História Cultural e da Antropologia, propõe uma elaboração conceitual que entende as culturas escolares do campo como espaços nos quais se articulam normas e práticas, concessões e apropriações, além de testemunhos que expressam não só o que as escolas são, mas o que projetam ser e o que resistem a ser ou a deixar de ser. Nessa perspectiva, investigar a presença da matemática nos cotidianos escolares camponeses implica reconhecê-la como participante de um jogo constante de negociação simbólica e material, no qual se entrecruzam prescrições institucionais e práticas cotidianas de apropriação e resistência. Visando operar tal conceito, o artigo apresenta duas investigações. A primeira analisa projetos educativos concebidos por movimentos sociais camponeses e, a partir dos Cadernos de Educação do MST, possibilita compreender como tais iniciativas tensionam modelos hegemônicos de escolarização e elaboram outros sentidos para a educação matemática em escolas situadas em contextos de Reforma Agrária. A segunda investigação examina ações formativas destinadas à escola rural mineira entre as décadas de 1950 e 1970, com atenção especial às Granjinhas Escolares que caracterizam parte do trabalho educacional de Helena Antipoff. O estudo mostra como a matemática se integrava à formação de professores/as rurais, operando na manutenção e/ou promoção de ideários e discursos sobre a educação das populações camponesas no período. As análises indicam que a presença da matemática em culturas escolares do campo mobiliza, simultaneamente, finalidades instituídas por projetos hegemônicos e práticas de resistência e de afirmação política. O artigo defende, por fim, a necessidade de uma historiografia da Educação Matemática comprometida com a visibilidade, a diversidade e a legitimidade dessas experiências educacionais, reconhecendo-as como parte constitutiva da história da escola brasileira.
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